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Desde crianças aprendemos História na escola, mas só muito tempo depois descobrimos que boa parte do que aprendemos não aconteceu exatamente daquela forma.

Ainda me lembro de como me senti ao descobrir que Dom Pedro I na verdade não gritou “Independência ou Morte!” ás margens do Ipiranga à cavalo e de espada em punho, como a pintura de Pedro Américo e a Profª Olinda, da primeira série, me fizeram acreditar. A descoberta veio pela TV, mais especificamente pelo Fantásticosua revista eletrônica semanal”, em uma série no modelo daquelas com o Dr. Dráuzio Varela. A independência do Brasil, na verdade, foi declarada ás margens do rio Ipiranga (isso continua certo) mas com outro tipo de grito. O Imperador estava com diarréia voltando da casa da sua amante mais famosa, a Marquesa de Santos, quando em uma paradinha ás margens do rio declarou o Brasil oficialmente independente de Portugal.Independência ou Morte(1888) Pedro Américo. óleo sobre tela

Sempre fui patriota desde a infância, confesso que nem tanto assim, mas sempre gostei do Brasil e da história do país. Neste Natal ganhei um livro que na capa prometia desmascarar vários momentos e personagens que ainda são considerados heróis nacionais, como curiosidade, por que não citar alguns?!

Se você tem coração fraco, ou é mais patriota que eu e não quer ver suas ilusões desmascaradas, não continue [contém SPOILERS].

Tiradentes era careca, sim ele não tinha cabelos compridos e barba, ficou assim porque com o tempo sua imagem foi assimilada a de Jesus, como Messias sacrificado por um número maior de pessoas (essa parte também foi do Fantástico).

Os índios não preservavam a natureza, os portugueses os ensinaram a isso. Sim, você leu certo. Os índios não eram muito ligados a agricultura, sobreviviam da caça, os que habitavam a Mata atlântica próximo ao Litoral queimavam grandes extensões de floresta para cercar as presas. Sendo assim com o tempo o solo empobrecia, e as tribos migravam para outras regiões, formando um ciclo. As clareiras abertas pelos índios foram logo habitadas pelos europeus quando passaram a povoar a nova terra, chamadas entre outros nomes de “capoeira, ‘roça abandonada’”. Daí o nome de locais como Capão Redondo, Campo Limpo, Campinas, etc. Portugal criou leis ambientais para a colônia, com o intuito de preservar o Pau-Brasil e assim manter uma extração “sustentável”, já que a árvore era a principal fonte de corante vermelho até a descoberta da anilina.

A palavra mingau vem da pasta feita das vísceras cozidas dos prisioneiros devorados pelos índios Tupinambás (eu nem gostava de mingau mesmo).

Escravos alforriados tinham escravos. E alguns até se tornaram traficantes em navios negreiros. Até Zumbi dos Palmares teve alguns no Quilombo, de acordo com as pesquisas citadas no livro aqueles que fugiam do Quilombo, ou não se juntavam à ele de vontade própria se tornavam escravos.

A feijoada é de origem europeia, e não nasceu nas senzalas como se pensava.

A Guerra do Paraguai foi um suicídio provocado por um presidente ditador, e o Paraguai era aristocrático e rural ao contrário do que aprendemos.

Santos Dummont não inventou o avião, foram os irmãos Wright, que voaram cerca de 3 anos antes do brasileiro se aventurar no 14 Bis. Santos Dummont ficou famoso em sua época pelos balões que criava, e suas invenções aéreas influenciaram o ultraleve.

Pois é as coisas nem sempre são como nos contam a vida toda. O mito é amigo do tempo, que com um empurrãozinho podem se unir e nunca mais deixar a verdade a vista, ou seja o tempo pode transformar os fatos. Imaginem o que podem dizer de algumas personalidades de hoje no futuro. Já imaginou o Collor como herói nacional? ou até o Sarney? melhor nem  imaginar, e lutar pra perpetuar a história tal como é, a internet pode ser grande laiada das futuras gerações.

Existem muitas outras questões citadas no livro, principalmente em relação a ditadura e aos comunistas da época, mas mexer nesse ponto negro da história brasileira é delicado e necessita de mais conhecimento e tempo.

Pra quem interessar o livro é “Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil” de Leandro Narloch, ex-editor da Superinteressante. Contém referências bibliográficas constatando que foi fruto de pesquisas sérias, e como o autor mesmo denomina o livro busca ser uma “provocação”, e não apenas um estudo acadêmico comum.